
Inteligência Artificial: O Desafio da Inteligência Natural
Desde o advento da máquina a vapor; passando pela eletricidade e pela exploração do petróleo; chegando na robótica e na popularização da internet, nenhuma transformação tecnológica se compara ao impacto que a inteligência artificial provocará na sociedade contemporânea.
Pode-se afirmar que a inteligência humana enfrenta, hoje, o seu maior desafio.
Revolução 4.0
A inteligência artificial está inserida no contexto da chamada Quarta Revolução Industrial, também conhecida como Revolução 4.0, marcada pela fusão entre o mundo físico e o digital. – Internet das Coisas (IoT), Big Data, robótica avançada, são só alguns exemplos.
Os impactos da IA são sensíveis no cotidiano.
Na indústria, fábricas operam com linhas de produção capazes corrigir falhas automaticamente. Na prestação de serviços, é visível a substituição do trabalho humano por softwares. No comércio, atendimentos e vendas são cada vez mais automatizados.
Tarefas repetitivas
É franco que tarefas repetitivas serão substituídas pela automação. Por outro lado, cresce a demanda por profissionais especializados em tecnologia.
Em ambos os casos, a IA desafia números e proporções. – O surgimento de novos postos no mercado não suprirá a substituição do trabalho humano.
A constante da velocidade
Diferentemente das revoluções anteriores, que se consolidaram ao longo de décadas, a inteligência artificial avança em ritmo exponencial.
Se no último quartel do século vinte se consolidou a ideia de que inovações fazem parte do cotidiano do mercado, a inteligência artificial adiciona, em definitivo, a constante da velocidade como fator decisivo para sobrevivência de empresas.
Outro ponto crucial
Pela primeira vez na história, o avenço tecnológico representa um temor a populações de trabalhadores em todo o mundo.
O problema da água
Por fim, recursos naturais, tal como a água, são amplamente utilizados como insumo para as IA’s, causando ainda maiores preocupações com o meio ambiente.
Questão de cunho ético
Frente a isso, os efeitos da inteligência artificial transcendem a impactos econômicos ou estritamente sociais.
Trata-se de uma questão bem mais profunda, de cunho ético – se assemelha bastante a questões já debatidas, envolvendo o genoma humano e a criação de seres perfeitos.
Menos renda
Personalidades do mundo da tecnologia já se posicionaram quanto à necessidade de governos regularem o uso da inteligência artificial – ou seja, investidores pedem leis – algo incomum no sistema de produção capitalista. E não é para menos.
Se por um lado, colocar entraves ao desenvolvimento das IA’s importará, certamente, em uma reserva de mercado, assegurando a liderança tecnológica de organizações transnacionais, em última análise, sem trabalho, não há renda e se não há renda, a riqueza precisa ser distribuída, seja por programas sociais – como na já cogitada renda básica universal – seja através da tributação – como no caso de impostos progressivos.
Vamos nos adaptar?
A capacidade de adaptação é uma característica marcante da inteligência humana.
É ela que permite modificarmos comportamentos, revermos estratégias e criarmos soluções diante de novos desafios – tem sido assim desde os tempos primevos.
Sob esse aspecto, a humanidade certamente irá se adaptar aos novos tempos.
O verdadeiro debate
O verdadeiro debate, porém, está nos efeitos colaterais desse processo, ou seja, quem e quantos ficarão para trás? E aqui voltamos a eticidade. Questiona-se: quais os efeitos da nova tecnologia nas relações jurídicas e políticas?
Assistencialismo, proteção social, políticas públicas emancipatórias que voltem a afirmar o direito à igualdade como meio de preservar a dignidade da pessoa humana – tal como nos primórdios da industrialização – acenam ser uma solução acautelatória e pragmática de governos – desprezando ideologias.
Populismo
Quanto a ideologias, o populismo, meio predatório de votos, desafeto da democracia e inimigo número um da formação da consciência cidadã, tende a ser, em uma sociedade mundial já polarizada e belicosa, potencializado ainda mais.
Inteligência artificial X Inteligência natural
A inteligência artificial não representa apenas avanço tecnológico. Haverá redefinição profunda das relações humanas, econômicas e políticas.
Se, por um lado, a capacidade de adaptação sempre permitiu à humanidade superar períodos de ruptura, por outro, a velocidade e a dimensão da Revolução 4.0 impõem desafios inéditos à inteligência natural.
Como a sociedade lidará com isso, fica a pergunta.
Construindo mecanismos éticos, jurídicos e políticos capazes de preservar a dignidade da pessoa humana… fica a dica!
Emerson Souza Gomes
Advogado e blogueiro
www.cenajuridica.com.br






