Com dragagem inédita de R$ 333 milhões em PPP, recente expansão industrial de R$ 2 bilhões, recordes de movimentação e previsão de investimento privado em terminais portuários na ordem de R$ 6 bilhões, a terceira cidade mais antiga do país se consolida como epicentro da eficiência portuária nacional

Quem caminha pelas ruas de paralelepípedo do Centro Histórico de São Francisco do Sul, tombado pelo patrimônio nacional, pode não perceber de imediato, mas os casarões coloniais e o vaivém das marés na Baía da Babitonga guardam o segredo de uma das engrenagens econômicas mais potentes do país. Fundada oficialmente em 1658, a terceira cidade mais antiga do Brasil nasceu, cresceu e se consolidou olhando para o mar. Mais do que uma característica geográfica, a atividade marítima é a espinha dorsal que molda a identidade de seu povo e dita o ritmo do progresso regional, transformando o complexo da Babitonga no epicentro da eficiência portuária do Sul do país.
A força dessa engrenagem já é uma realidade concreta. O Porto Público de São Francisco do Sul atingiu a marca histórica de 16,8 milhões de toneladas movimentadas em um único ano, consolidando-se como o maior movimentador de carga geral de Santa Catarina e o 7º maior porto público do país. Esse desempenho é impulsionado por um ecossistema industrial robusto, com as operações do terminal da Petrobras (Tefran) e da ArcelorMittal Vega, que recentemente concluiu sua expansão industrial de R$ 2 bilhões, gerando centenas de empregos diretos e indiretos na região.
Desenvolvimento em todas as margens
A pujança desse se estende por todas as margens da Baía da Babitonga, abrangendo também o município de Itapoá, vizinho de São Francisco, onde a movimentação logística atinge índices expressivos no terminal de contêineres e atrai novos investimentos de grande porte. Exemplo disso é o projeto do novo terminal privado da Coamo Agroindustrial Cooperativa, orçado em cerca de R$ 3 bilhões, projetado para movimentar milhões de toneladas por ano no escoamento de grãos e importação de insumos. A presença de múltiplos terminais em uma mesma baía abrigada reforça a sinergia operacional do complexo, multiplicando o potencial de atração de novos negócios e linhas de navegação para toda a região.
Investimentos para garantir eficiência operacional
A consolidação desse ecossistema avança com obras e projetos de infraestrutura em plena execução, como a obra inédita de dragagem de aprofundamento do canal externo de acesso à Baía da Babitonga. Orçada em R$ 333 milhões, a intervenção é um marco no setor por ser realizada em um modelo de cooperação público-privada entre o Porto Público de São Francisco do Sul e o Porto Itapoá. A ampliação do calado para 16 metros permitirá que a baía receba os maiores navios em operação no mundo com sua capacidade máxima de carga, adotando práticas de Economia Azul ao utilizar a areia retirada do mar para o engordamento da faixa de areia da praia de Itapoá.
Atração de novos projetos e mais desenvolvimento
Olhando para o futuro breve, o potencial da Baía da Babitonga atrai novos projetos estruturantes de grande porte que prometem elevar a capacidade logística da região a patamares internacionais. O ecossistema ganha novos reforços com o avanço do Terminal de Granéis de Santa Catarina (TGSC), autorizado a entrar em operação em breve com capacidade para movimentar até 6 milhões de toneladas de grãos por ano, e com o início das obras de terraplenagem do Terminal Mar Azul, da Norsul, voltado à movimentação de cargas industriais e cabotagem. À onda de desenvolvimento, soma-se o projeto Porto Brasil Sul, idealizado pela Worldport, com investimento privado estimado em R$ 6 bilhões. O projeto prevê a criação de mais de 2.500 postos de trabalho durante a fase de construção dos terminais e outros 2.000 empregos diretos quando entrar em operação, somando-se aos projetos de modernização e ampliação do complexo portuário.
A viabilização plena de todo esse ciclo de investimentos privados e públicos atua como o principal catalisador para solucionar gargalos históricos da região, estimulando as autoridades governamentais a acelerarem as melhorias necessárias na infraestrutura de acesso rodoviário e nas conexões ferroviárias. Esse avanço contínuo impulsiona a qualificação profissional dos moradores locais e gera um forte efeito multiplicador no comércio e no setor de serviços de São Francisco do Sul. Ao unir responsabilidade legal e respeito ambiental, a terceira cidade mais antiga do país abre caminho para que seus jovens construam carreiras globais sem deixar sua terra natal, consolidando em definitivo a Baía da Babitonga como o principal hub logístico e multimodal do Brasil.
Investimentos e Indicadores do Complexo da Babitonga
- 16,8 milhões de t: Recorde histórico de movimentação anual do Porto Público de São Francisco do Sul.
- R$ 2,0 bilhões: Investimento na expansão industrial da ArcelorMittal Vega na região.
- R$ 3,0 bilhões: Aporte previsto para o novo terminal privado da Coamo em Itapoá.
- 6,0 milhões de t/ano: Capacidade estimada na 1ª fase do novo Terminal de Granéis de Santa Catarina (TGSC).
- 5,0 milhões de t/ano: Capacidade prevista para o Terminal Mar Azul (Norsul), com terraplenagem em andamento.
- R$ 333 milhões: Aporte na obra de dragagem do canal de acesso em modelo de PPP.
- R$ 6,0 bilhões: Investimento privado previsto para o projeto Porto Brasil Sul (Worldport).
- 4.500+ postos de trabalho: Estimativa de empregos entre a fase de obras e a operação do Porto Brasil Sul.







