Walber Gonçalves de Souza: Em quem votar?

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As eleições se aproximam, e uma pergunta que deveria ter uma resposta tão simples e direta não se torna tão fácil de responder.

Pois a pergunta não se refere apenas a qual candidato receberá o voto, mas, sim, a quem deveria ser, de fato, merecedor de um voto. Afinal, o voto deveria representar a livre escolha de uma pessoa na qual depositamos a confiança de nos representar durante um determinado período.

E este é o grande segredo da democracia: votar em quem queremos, e não simplesmente nas opções que nos são direcionadas. Pois elas podem apresentar nomes que não condizem com os anseios e desejos da sociedade.

Mas, na prática, sabemos que não é isso que acontece. O jogo político é construído meses antes pelos partidos, sendo que cada qual observa suas necessidades e possibilidades de vitória nas urnas.

Assim sendo, nossa democracia se restringe aos nomes apresentados. E cabe aos eleitores, dentro dos nomes postos no tabuleiro eleitoral, escolher aquele que merece seu voto.

Todavia, vamos partir do princípio de que nossa escolha vá ao encontro das seguintes situações. O voto será efetuado naquele que atender aos seguintes critérios:
• Não ter mácula (desvio de conduta, prevaricação, atos de desonra, de descrédito…) em sua trajetória profissional e pessoal; ter ficha limpa, no sentido literal da expressão, pois não vale seguir a Ficha Limpa em vigor, já que ela é mais suja que poleiro de galinheiro. Imaginemos um candidato ficha limpa de verdade, que não esteja associado a esquemas de corrupção, que não tenha levado vantagens financeiras de forma obscura; possuir uma vida proba como cidadão; defender posicionamentos claros contra pessoas que atentem contra a sociedade, como criminosos, traficantes, pedófilos, misóginos, vigaristas…; ser uma pessoa que transmita confiança, possuidora de projetos realizáveis, de ideias que possam se concretizar e que visem ao desenvolvimento social em todas as suas dimensões; ter uma mentalidade de estadista, que acredita que sua contribuição faz parte de um contexto e de um momento e que outros o sucederão; ser uma pessoa que saiba agregar, comunicar, falar, ouvir e se posicionar, pois essas são as posturas de quem transmite confiança para os seus representados.

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Claro que tantas outras situações poderiam ser elencadas. Mas deixo uma pergunta: quantos candidatos, aprovados pelos seus partidos e endossados pelas leis eleitorais, se enquadrariam em 90% dos critérios estabelecidos no parágrafo anterior?

E quantos de nós, mesmo sabendo que eles não se encaixam nos critérios mencionados, continuamos acreditando e depositando nossas esperanças nos mesmos de sempre ou naqueles apoiados por eles?

Portanto, não há democracia que resista quando as opções de escolha não condizem com as necessidades daqueles que escolhem. O processo eleitoral que estamos vivendo está demonstrando, mais uma vez, que precisamos avançar, amadurecer e aprimorar nossa democracia, pois ela, a cada dia, torna-se uma grande farsa.

Walber Gonçalves de Souza é professor, escritor e palestrante (@prof.walbao).

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