Emerson Souza Gomes: Violência contra mulheres

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Santa Catarina é citado como um dos estados mais desenvolvidos do Brasil, com indicadores econômicos e sociais acima da média nacional. No entanto, por trás desse cenário, há uma realidade preocupante: a violência contra mulheres. Em 2025, o estado ocupou a quinta posição no país em número de feminicídios, evidenciando uma crise que vai além de estatísticas e exige reflexão profunda.

Por que homens matam mulheres?

A pergunta que surge é direta e incômoda. Qualquer resposta deve partir do preconceito e não passar pela culpa da vítima. Diferentemente do que muitos ainda afirmam, feminicidas não são pessoas com distúrbios mentais. Classificá-los como “loucos” pode parecer uma forma de explicar o inexplicável, mas, na prática, contribui para desviar o foco do problema real: a persistência de uma cultura machista enraizada.

As mulheres morrem por serem mulheres

O feminicídio não é um crime isolado, mas a manifestação de um sistema de desigualdade com arrimo na cultura do machismo. Ainda que nem todo homem seja um feminicida, é sempre um homem quem comete esse tipo de crime — um dado que precisa ser encarado com responsabilidade, e não com negação.

Reprodução do discurso

Palavras constroem realidades e reforçam comportamentos. Piadas machistas, comentários desrespeitosos e a omissão diante de falas preconceituosas contribuem para a normalização da violência. Um exercício simples, mas revelador, é perguntar: quantas vezes homens repreendem amigos por comentários ofensivos contra mulheres?

Redpill

Outro fator que agrava o cenário é a disseminação de ódio nas redes sociais, especialmente entre adolescentes do sexo masculino. Comportamentos marcados por misoginia e radicalização têm se tornado mais frequentes, ampliando o problema para além do ambiente doméstico.

Do deboche à matança

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Embora a violência contra mulheres não seja um fenômeno novo, ela tem se intensificado nos últimos tempos. Parte dessa escalada se relaciona às mudanças sociais em curso. Se antes a luta por igualdade era tratada com deboche por muitos homens, hoje ela é mais visível e combativa. A luta por direitos tem gerado reações de resistência e, principalmente, de violência contra mulheres por parte de homens que se sentem ameaçados.

O que fazer para evitar mais mortes?

O primeiro passo é escutar o que as mulheres têm a dizer — sem interrupções, sem deslegitimação, sem relativizações. Mas isso não basta. É preciso ação concreta, sobretudo, no âmbito individual. É urgente a mudança de posturas por parte dos homens.

Todos têm muito a aprender

Quando o assunto é preconceito, todos têm o que aprender. No entanto, cabe sobretudo aos homens o esforço de revisar comportamentos, questionar atitudes e assumir um papel ativo na construção de uma sociedade mais justa e segura.

A violência contra mulheres não é inevitável. É resultado de escolhas, omissões e estruturas que podem — e devem — ser transformadas.

O desafio está posto…

….e a urgência é inegável.

Emerson Souza Gomes
Advogado e Blogueiro
www.cenajuridica.com.br

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