Setembro Amarelo precisa ser tratado com atenção, diz psicóloga

Marciele diz que o tema precisa ser tratado com mais atenção, inclusive em São Francisco do Sul pelo momento frágil que a sociedade vive

Estamos vivendo em um tempo onde as pessoas estão chegando ao seu limite
para dizer, através de ato, que não estão bem

Desde que foi criada a campanha Setembro Amarelo, em 2014 pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), é possível perceber o engajamento dos poderes públicos na campanha, mas para a psicóloga Marciele Rossetto o trabalho de divulgação apresenta-se com maior força entre os profissionais da área da saúde, instituições de ensino de um modo geral, instituições particulares como clinicas, hospitais, etc. “Esse tema sempre tem que ser tratado com muita atenção, vivemos em um momento frágil em vários aspectos, sociais, econômicos e familiares”, comenta. O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio.

Marciele diz que o tema precisa ser tratado com mais atenção, inclusive em São Francisco do Sul pelo momento frágil que a sociedade vive. “Essa fragilidade faz com que a angustia de viver se torne cada vez mais difícil de lidar, o sentimento de desamparo apresenta-se cada vez maior, e no nosso município não é diferente, somos um município pequeno com fragilidades”, comenta.

O comportamento suicida também pode ser um ato impulsivo, apresentando-se como uma vontade transitória

A psicóloga explica que é preciso ficar atento com as pessoas próximas que tenham diagnóstico de doenças mentais/psiquiátricas como depressão, transtorno bipolar, transtornos relacionados ao uso de drogas ilícitas ou licitas; se a pessoa já teve um episódio ou mais de tentativa de suicídio, inclusive episódios de automutilação; se apresentou ideação suicida (verbalizou vontade de morrer, ou comentou sobre a forma que iria cometer o ato suicida); se está passando por estresse crônico ou recente, como uma separação conjugal, perda de uma pessoa próxima, perda de emprego, falência financeira, etc.; que apresentem comportamentos sugerindo uma preparação para o suicídio como mensagens, bilhetes, recados em mídias sociais, doações de bens, testamentos, etc.; pessoas que apresentam as características acima e tem acesso facilitado à armas. “O comportamento suicida também pode ser um ato impulsivo, apresentando-se como uma vontade transitória, muito comum em adolescentes; pessoas que sofreram situações traumáticas como abusos físicos, sexuais, psicológicos na infância”, frisa.

Segundo ela, é importante tratar do assunto. O principal encaminhamento, conforme Marciele, é conseguir falar sobre a dor, um pessoa amiga, um familiar, alguém que você confie e possa estar ajudando a encontrar possibilidades de lidar com aquele sofrimento. Buscar ajuda de médicos, psicólogos, é essencial, pois são profissionais capacitados para dar o aporte necessário nos momentos de crise. “Fazer o tratamento é fundamental para que a dor seja ressignificada”, orienta.

Não existe uma faixa etária que seja propensa ao comportamento suicida

Os motivos são diversos que podem levar ao suicídio e geralmente muito individuais, cada dor é uma dor, ela é subjetiva e diz da vida de cada pessoa. “Não existe uma faixa etária que seja propensa ao comportamento suicida, porém atualmente percebe-se um número maior entre adolescentes, muitos fatores podem apresenta-se como influenciadores, ex.: influência de mídias sociais, “modismo”, dificuldade de lidar com as mudanças da adolescência, dificuldade em expressar-se, famílias disfuncionais, bullyng, fragilidade diante das frustrações, etc”, afirma.

Para a psicóloga Marciele, o mais difícil, ainda hoje, no que tange a questão do comportamento e ato suicida é considerar que essa questão é um mito, que a pessoa está fazendo para chamar atenção, que é fraca. “Temos dificuldade de olhar para a dor do outro, de ter empatia e escutar o que ele tem para dizer, parece que vivemos em um momento em que apenas o olhar é necessário, o olhar para aquilo que tenho e aquilo que pareço ser, que não se tem mais tempo para sentar com um amigo e apenas relaxar, tomar um café e falar sobre sua vida e escutar sobre a vida do outro”, explica.

Conforme ela, a sociedade vive em um momento onde as pessoas estão adoecendo ao lado e as o outro não quer saber, pois não tem tempo a perder. “Estamos vivendo em um tempo onde as pessoas estão chegando ao seu limite para dizer, através de ato, que não estão bem. Campanhas como essa são fundamentais para nos chamar a refletir sobre que tempo é esse que escolhemos viver, que a dor do outro pode ser insuportável e que independe de tempo, ela apenas existe e temos que lidar com ela”, conclui.

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