
O dia da eleição se aproxima, e acredito que grande parte dos eleitores já decidiu o destino do seu voto. Alguns votarão por acreditarem em seu candidato; outros, como forma de protesto ou rejeição; e tantos outros, na percepção do “menos pior”. Afinal, esses são os caminhos que também fazem parte do processo democrático.
Entretanto, quando é anunciado um debate em um dos principais canais de TV aberta do país, espera-se que o objetivo seja o debate de ideias, que se manifestam por meio de propostas ou formas de pensar sobre determinado tema. Todos querem ouvir os argumentos e as propostas dos candidatos sobre os temas que mais afligem a sociedade brasileira: como resolver os problemas da péssima educação com os quais nossos jovens convivem; da segurança pública; da precariedade dos hospitais e das demais instituições de saúde; como acabar com a corrupção e com a má gestão dos recursos públicos; como resolver os problemas ambientais; quais são as propostas para o manejo das “terras raras”; enfim, são dezenas de situações urgentíssimas que gritam por soluções.
Se fosse assim, provavelmente o debate contribuiria para que pessoas indecisas, ou até mesmo aquelas que, no primeiro turno, não votaram de forma convicta, pudessem repensar seu voto.
Afinal, em um debate sério, pautado por propostas e ideias, os candidatos, ao exporem seus pensamentos, oferecem aos eleitores melhores condições para fazer suas escolhas. Isso pode, mesmo que raramente, levar até mesmo à mudança de voto de um turno para o outro.
Mas, na prática, não foi isso que percebemos no debate dos presidenciáveis ocorrido na noite do último domingo. Pelo contrário, foi um momento de lamentação para a democracia brasileira. Foi um debate de horrores, no qual praticamente ninguém respondeu a nada, ninguém apresentou propostas concretas sobre temas relevantes e, para fechar com chave de ouro esse festival de besteirol, não faltaram acusações severas.
Assim, fico me perguntando: se as acusações, de ambas as partes, forem reais, em que tipo de carro os dois candidatos deveriam sair e para onde deveriam ir? Na troca de farpas, parece que a corrupção e o escárnio foram banalizados. E não deveriam ter sido, pois dali sairá o próximo presidente do Brasil.
Se reduzirmos nossa avaliação do processo eleitoral ao debate realizado, chegaremos à conclusão de que o país realmente não tem jeito. Pois, como diria Boris Casoy, “isto é uma vergonha”. Além de falácias eleitoreiras, pouquíssimas coisas podem ser extraídas do debate. Mas são tão poucas e tão superficiais que levaram o nível do encontro ao patamar mais baixo possível.
E, indo além dos candidatos, a plateia também fez sua parte para incrementar o debate de horrores, provocando vários momentos de interrupção. Foi possível ouvir gritos, manifestações desrespeitosas, entre outras situações. Até mesmo o tom de voz dos mediadores se elevou em determinados momentos, como forma de tentar acalmar os ânimos.
Mas, no meio dessa lambança toda, o dedo dos marqueteiros certamente está presente. Provavelmente porque eles conhecem a “alma” do povo brasileiro e sabem que o “teatro de horrores” provoca mais curtidas e visualizações do que uma conversa franca, aberta e repleta de ideias, como de fato deveria ser um debate eleitoral.
Sigamos! Quem sabe o próximo seja diferente e cumpra sua finalidade.
Walber Gonçalves de Souza é professor, escritor e palestrante (@prof.walbao).








