Opinião Bruna Machado: Acabou a pilha, jogo fora?

 

 

Meus queridos espectadores da península mais importante do Brasil (depois do aterro no Canal do Linguado não somo mais ilha), nossa São Chico! Quem nunca quis aumentar o som da televisão na hora do arranca rabo da novela das 8 e se fez O-BRI-GA-DO a se levantar, pois as pilhas do controle remoto descarregaram. Ou então, ficaram para fora de casa porque as pilhas do controle do portão da garagem entraram em greve. Oh God! Ninguém merece!

 

Essas situações se resolvem com a simples substituição da pilha/bateria, mas depois de substituída, o que acontece com as usadas? Para onde vão? Onde são jogadas? Ainda vivem?

 

Pois então, diferente dos remédios que citamos no artigo anterior (espero que tenha lido, se não… vai ler!), as pilhas e baterias estão na lista dos produtos que necessitam de LOGÍSTICA REVERSA, conforme a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O que é isso? Sem muita enrolação, é a obrigação dos fabricantes e comerciantes a se responsabilizarem o retorno de seus produtos descartados, além de serem responsáveis pelo destino desses itens.

 

 

Entretanto, contudo, todavia, SEMPRE devemos lembrar que a responsabilidade sobre o produto cabe aos comerciantes, fabricantes, importadores, distribuidores, CIDADÃOS (sim, nós!) e titulares de serviços de limpeza e manejo dos resíduos sólidos urbanos.

 

Então, o que tudo isso significa? Posso jogar a pilha do controle, da lanterna, do videogame no lixo orgânico, no reciclado, no bueiro da bica d’água? NÃO!!!

 

Primeiro que o ideal é sempre armazená-las separadas de outros materiais. Então, sempre coloque as pilhas em uma embalagem plástica resistente para impedir o contato com a umidade. Após isso, é só levar a um posto de recolhimento. MAS ONDE? Normalmente em supermercados, lojas de eletrônicos, assistências técnicas e alguns prédios comerciais possuem receptores para serem descartados pilhas e baterias.

 

Além disso, periodicamente a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de São Francisco do Sul realiza a coleta de materiais eletrônicos, inclusive pilhas e baterias. Para saber mais sobre o agendamento para retirada desses materiais pela prefeitura, basta entrar em contato com a Secretaria pelos meios de comunicação (presencialmente, facebook, site, ouvidoria).

 

Mas e depois disso, o que acontece? Bom, as pilhas e baterias podem ser recicladas por meio de processos químicos e térmicos que conseguem recuperar quase 100% do material. Ou então, são descartadas corretamente após um tratamento em aterros específicos.

 

OK, mas como sou a RAQUEL (irmã má da Ruth na novela Mulheres de Areia) … O lixo é MEU e eu faço o que quiser com ele, vou jogar no lixinho da cozinha! E aí?

 

 

Bom… Primeiro que descartar pilhas e baterias em lixo doméstico, assim como qualquer outro produto nocivo ao meio ambiente configura crime ambiental (Lei Nº 9065/1998)… Segundo que por ser um produto considerado perigoso, ele possui componentes tóxicos que quando descartado erroneamente, pode passar por deformações na cápsula: amassar, estourar e/ou vazar o líquido tóxico de seu interior. Esse líquido é extremamente perigoso à saúde humana, podendo provocar contaminações que podem gerar câncer e mutações genéticas. No meio ambiente, esse mesmo líquido se acumula na natureza, e não é consumido com o passar dos anos. A contaminação envolve o solo e lençóis freáticos, prejudica plantas, animais, riachos e plantações na proximidade. Já pensou em você e sua família comendo morangos bem vermelhinhos contaminados com o líquido da pilha que VOCÊ descartou errado?

 

Então querido, vamos descartar corretamente os nossos resíduos. A nossa responsabilidade (se somos meros consumidores) só termina quando destinamos e descartamos corretamente.

 

Para o nosso próximo monólogo, gostaria de convidá-los para uma viagem (só na mente porque o dólar está caro) em um maravilhoso cruzeiro que sairá do Havaí (EUA) e nos levará até uma outra ilha PARADISIACA – estou sendo irônica, se não notaram. Sabe onde é? O que tem lá?

 

 

Bruna F. Machado
Oceanógrafa e Eng. Ambiental
Equilíbrio Consultoria e Projetos Ambientais

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